Porto de Natal não consegue receber navio de cruzeiro

As limitações físicas do Porto de Natal estão impedindo a atracagem de um navio com 1.500 passageiros, causando insatisfação no setor turistíco; embora passageiros de cruzeiros não ocupem hoteis, eles fazem passeios pela cidade que movimentam o comércio, o transporte e outros serviços.

O “Grand Mistral” solicitou em agosto passado permissão para a atracar em Natal, e foi autorizado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). No documento enviado pelo Serviços e Despachos Marítimos (Semar), informa-se que o navio traria 1.500 passageiros tendo como natureza da operação o turismo (atualmente, o porto recebe apenas navios de carga, qe exportam principalmente frutas e camarões para o exterior), com previsão de chegar em Natal no dia 19 de novembro deste ano.

A embarcação mede 216,48 metros de comprimento e 32,7 m de largura, com calado (parte submersa) máximo de 7,7 m, pesando até 48.200 toneladas.

A empresa Natal Pilots, responsável pelo serviço de praticagem do porto, recomendou que o navio não atracasse, tendo em vista as dimensões da embarcação e a área de manobra do porto no rio Potengi (o Porto de Natal localiza-se algumas centenas de metros adentro o rio Potengi).

No entendimento dos práticos, seria necessária uma nova dragagem para permitir a manobrabilidade segura da embarcação. O prático Sebastião Leite detalhou que a bacia de evolução, área utilizada para manobrar os navios em direção à saída do canal, é de 240 metros, por isso, coloca o Grand Mistral nos limites de segurança ou encalhe.

“Infelizmente, sem uma dragagem fica difícil manobrar navios deste porte. A questão é que já se passaram pelo menos 4 anos desde a última dragagem, então, é normal uma diminuição da bacia de evolução devido à ação da correnteza. Os práticos não poderiam assumir o risco de ter um navio encalhado. Neste semestre não tem condições”, comenta Sebastião.

O diretor técnico da Codern, Hanna Youssef Safieh, detalhou que a dragagem do Porto de Natal passa por um processo licitatório, conduzido pela Secretaria Especial dos Portos (SEP), que transcorre em Brasília. Contudo alguma informações já foram adiantadas. “A licitação segue os prazos legais na escolha das empresas. Uma delas, que foi desqualificada, entrou com recurso, como era previsto, então, a escolha atrasou um pouco. Contudo, já encaminharam a solicitação para proceder uma “batimetria”, ou seja, medição de todo o canal”, adianta o diretor.

Segundo Hanna Safieh, esta medição serve de controle durante a execução da dragagem, tendo em vista que os valores são pagos pela quantidade em metros cúbicos de material retirado do rio.

A expectativa do diretor é que o processo licitatório seja concluído ainda neste semestre e a dragagem completada no próximo ano, com previsão de sete meses de serviços. Ele detalhou que a dragagem terá início na “Boia I”, localizada na entrada do canal, passando pelo canal de evolução até a bacia de evolução, na área de manobra do porto. O canal passará a ter 120 metros de largura nos trechos retilíneos e 150 nos curvos, com calado de 12,5 metros de profundidade. A bacia de evolução, protagonista do problema atual, terá 325 metros de largura e 600 metros de comprimento.

Enquanto isso, os navios de cruzeiro (inclusive os que se destinam a Fernando de Noronha), continuam utilizando os portos vizinhos, como o de Cabedelo (próximo a João Pessoa), Recife e Fortaleza.

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