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Copa 2014 em Natal está sob risco

março 16, 2010

É bem sabido que nenhum dos Estados do Brasil está com o cronograma em dia em relação às obras para a Copa de 2014; no início desse mês, o Ministro dos Esportes emitiu um alerta, lembrando que o prazo (já prorrogado) da FIFA para início das obras nos estádios é 3 de maio; à mesma época, nota do jornal Tribuna do Norte dava conta que Natal era uma das sedes (juntamente com o Rio de Janeiro) em que o atraso era maior.

Hoje, o jornal Tribuna do Norte publicou nota preocupante informando que não apenas o edital sairá com atraso, mas que também existem diversas outras pendências que podem comprometer até mesmo a realização da Copa em Natal.

Primeiro, quanto ao atraso: o comitê potiguar da organização da Copa confirmou que o edital sairá apenas em abril; como existem prazos para recebimento de propostas, recursos, etc, isso significa que a empresa vencedora, que estará habilitada para construir o estádio, será conhecida apenas em junho. Ou seja, mesmo que não haja nenhum outro contra-tempo (recursos judiciais, por exemplo) que postergue o processo, ainda assim haverá um atraso de quase dois meses em relação ao prazo estipulado pela FIFA.

Segundo, quanto aos concorrentes: o Governo do RN sempre propalou que diversas empresas estavam interessadas na construção e posterior administração do Complexo das Dunas; agora, o Comitê informa que, dos nove grupos que originalmente se inscreveram para participar do processo, apenas três apresentaram pré-propostas. Essa menor concorrência significa, entre outras coisas, que o preço pedido será maior (ou seja, exigirá maior desembolso do Governo), e que a qualidade técnica será menor.

E esse aumento de custos pode se tornar também um problema sério. Como outras pessoas já o haviam feito, dessa vez é o arquiteto Moacyr Gomes quem critica a viabilidade econômica-financeira do projeto: segundo ele, ao ceder o terreno, o Machadão e o Machadinho, o Estado estaria perdendo, no mínimo, R$ 296 milhões.

Outros problemas: o impacto ambiental das obras (a Semurb, órgão municipal, autorizou as obras, mas não houve consultas nem ao Idema, órgão estadual, nem ao Ibama, órgão federal); o retorno social do projeto (vão de fato ser criados empregos? para quem?); o impacto das eleições (o Governo Estadual conseguirá manter o foco no projeto, ao mesmo tempo que disputa a eleição desse ano?).

Apesar de todos esses enormes contratempos, o Coordenador do Comitê da Copa afirma que “tudo o que nós fechamos com a FIFA e a CBF está sendo cumprido; Natal é sede e vai ter estádio novo sim”.

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Machadinho, Natal

outubro 19, 2009

O estádio de futebol mais conhecido de Natal é o Machadão, que é administrado pelo município; o Machadão atualmente (desde que o ABC inaugurou estádio próprio, o Frasqueirão) recebe jogos do América e do Alecrim.

Ao lado do Machadão localiza-se seu irmão caçula, o ginásio Humberto Nesi, unanimemente conhecido como Machadinho. Se Natal conseguir superar os obstáculos e realizar a Copa do Mundo de 2014, então tanto o Machadão como o Machadinho deverão ser demolidos, para a construção da nova Arena das Dunas (várias pessoas opõem-se à demolição do Machadão, argumentando que com isso Natal perderia parte de seu patrimônio histórico e cultural).

Caso se confirme a demolição, ficam aí abaixo algumas fotos registrando o Machadinho, tiradas durante o Campeonato Brasileiro de Karatê que lá ocorreu nesse último final de semana.

machadinho-machadao

A foto acima mostra o Machadinho em primeiro plano e o Machadão ao fundo. Como se percebe, ambos têm projetos arquitetônicos semelhantes, de forma a manter uma harmonia. Por esse contorno ao largo do Machadão e Machadinho, passam os trios elétricos que desfilam no Carnatal.

machadinho-natal

machadinho

As fotos acima mostram o interior do Machadinho (a foto inferior foi tirada da área VIP, que é liberada em alguns eventos).

Caso o Machadinho venha de fato a ser demolido, ficam aí as fotos para registro histórico.

Mais obstáculos para a Copa 2014 em Natal

setembro 27, 2009

É inegável que existe grande apoio da população e da classe política para que Natal de fato sedie algumas partidas da Copa do Mundo de 2014; entretanto, há uma série de obstáculos que precisam ser removidos para que esse sonho se concretize.

Em outro post, foi mencionado que o Ministério Público apresentou questionamentos jurídicos quando ao projeto da Copa; esses questionamentos derivam da forma como o Governo está buscando parceiros para financiar o projeto, o que por sua vez deriva da conhecida falta de recursos financeiros oficiais para financiar uma obra de tal monta.

Hoje, nova reportagem da Tribuna do Norte levanta questionamentos técnicos em relação ao projeto da Arena das Dunas. O jornal entrevistou um Deputado Estadual com formação em engenharia, que afirma que o projeto até aqui foi feito sem que alguns levantamentos técnicos fossem efetuados; o próprio CREA (Conselho Regional de Engenharia), durante um Fórum de Discussão, teria apresentado algumas dúvidas que não foram respondidas.

Segundo ele, por exemplo, “o que se sabe é que hoje existe apenas uma maquete de computador, mas não se conhece o projeto de arquitetura e quem assinou, o projeto de engenharia civil, estrutural, hidrosanitária e elétrica”.

Não se planejou como será efetuada a remoção dos entulhos do Machadão, após sua planejada demolição (o Rio Grande do Norte é a única sede da Copa que planeja demolir um estádio já existente e construir outro em seu lugar); segundo cálculos, seriam gerados 16 mil metros cúbicos de concreto, o que requereria, em primeiro lugar, uma enorme frota de caminhões para seu transporte e, em segundo lugar, que se encontrasse um local onde se pudesse depositar o material.

Não se pensou na forma como se faria nem o fornecimento de água para o complexo, nem como ela seria posteriormente tratada; todas as hipóteses aventadas (lagoa de captação, emissário marinho, despejo no rio Potengi) têm potenciais impactos ecológicos e por isso exigem prévia análise e aprovação dos órgãos ambientais.

O trânsito é outro problema sério. A área do Machadão e do Centro Administrativo já é, por conta da localização central, uma das regiões com maior problemas de trânsito em Natal. Como a Fifa exige que seja disponibilizado um  número enorme de vagas, torna-se uma incógnita conciliar essas exigências com o já tumultuado quadro da região.

Será necessário muito trabalho para trazer a Copa para Natal.

Copa 2014 em Natal ameaçada

setembro 27, 2009

No início do mês, Natal foi sacudida pela notícia de uma possível ameaça de cancelamento da cidade como sede da Copa do Mundo em 2014; na ocasião, a CBF logo desmentiu o boato e o assunto foi esquecido.

Hoje, contudo, a Tribuna do Norte vem com uma nota bombástica: agora é o Ministério Público Estadual quem pede a suspensão do Projeto da Copa.

Para sediar a Copa, os Governos de Natal e do Estado preveem a construção do Complexo da Arena das Dunas, que abrange, além do complexo esportivo, novos centros administrativos (estadual e municipal), hotéis, um shopping, centro comercial, apartamentos, centro de convenções, teatro, auditório e uma lagoa artificial.

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Para dar lugar ao Complexo, teriam que ser demolidos tanto o Estádio Machadão (de propriedade da municipalidade) como o Centro Administrativo do Governo do Estado (que fica nas vizinhanças do estádio); toda a área seria então re-urbanizada, ocupando um espaço de 42 hectares.

Apenas para a construção do estádio, o custo estimado é de R$ 300 milhões; os orçamentos municipal e estadual não comportam esse gasto, e o governo federal está reticente em liberar recursos. Por isso, os Governos acordaram em criar uma Sociedade de Propósito Específico com o propósito de levantar recursos privados que financiassem a construção do complexo.

E aí entra o Ministério Público Estadual. Segundo os promotores que assinaram a ação, falta transparência ao processo.

Segundo a Tribuna: “Os promotores apontam, por exemplo, que não existe autorização legislativa para que o Estado e o Município doem à AGN (Agência de Fomento do Rio Grande do Norte) o bem imóvel, embora já esteja em pleno curso o processo de seleção de parceiro privado da AGN para venda do imóvel público. Além disso, o MPE considera que para a AGN alienar o imóvel, através da integralização do capital de sociedade privada, mediante permuta por ações, é indispensável a realização de licitação, na modalidade concorrência.”

O Ministério Público entende que, como o prazo estipulado pela FIFA para início das obras do estádio é março de 2010, ainda haveria tempo para promover a licitação.

O Secretário de Turismo do Rio Grande do Norte manifestou-se surpreso com a ação, mas não se pronunciou sobre seu mérito.

Resta aguardar a decisão da Justiça.